Base técnica: princípios de segurança, avaliação de risco, comunicação, acionamento de apoio e atuação dentro das competências do guarda-vidas, alinhados às referências da SOBRASA e da International Life Saving Federation — ILS.
Estabelecer uma conduta segura para o guarda-vidas diante de uma ocorrência envolvendo faca, lâmina, objeto perfurocortante ou outro objeto utilizado como arma.
O objetivo principal é:
Preservar a vida;
Proteger o guarda-vidas;
Reduzir a exposição ao risco;
Proteger os banhistas;
Acionar os recursos competentes;
Manter a segurança da área aquática.
Diante da presença de arma branca, o guarda-vidas não deve tentar resolver a ocorrência por meio de confronto físico.
AUTOPRESERVAÇÃO → DISTÂNCIA → PROTEÇÃO → ACIONAMENTO → ASSISTÊNCIA
A segurança do profissional deve ser considerada antes de qualquer tentativa de intervenção.
Ao identificar uma pessoa portando ou utilizando uma arma branca, o guarda-vidas deve avaliar rapidamente:
Local da ocorrência;
Distância entre o agressor e o profissional;
Número de envolvidos;
Direção de deslocamento;
Presença de banhistas;
Existência de pessoas feridas;
Possibilidade de acesso a local seguro;
Necessidade de evacuação da área;
Disponibilidade de apoio.
O guarda-vidas deve evitar aproximação desnecessária.
Quando houver possibilidade segura:
Aumentar a distância do agressor;
Retirar-se da trajetória da ameaça;
Evitar ficar encurralado;
Procurar uma posição protegida;
Manter uma rota de retirada;
Não tentar retirar a arma do indivíduo.
QUANTO MAIOR O RISCO, MAIOR DEVE SER A PRIORIDADE DE DISTANCIAMENTO.
O guarda-vidas não deve tentar:
Tomar a arma;
Segurar o braço do agressor;
Imobilizar o agressor;
Derrubar o agressor;
Perseguir o agressor;
Recuperar a arma por conta própria.
Essas ações podem aumentar significativamente o risco de lesão.
Se houver condições seguras para comunicação, utilizar linguagem curta, calma e não provocativa.
Evitar:
Desafios;
Ameaças;
Insultos;
Discussões;
Aproximação para argumentar;
Gestos bruscos desnecessários.
COMUNICAR SEM PROVOCAR.
Se a comunicação aumentar o risco, a prioridade deve ser retirar-se e buscar segurança.
O guarda-vidas deve considerar a segurança das pessoas próximas.
Quando for possível sem aumentar sua exposição:
Orientar as pessoas a se afastarem;
Evitar aglomeração de curiosos;
Retirar crianças e pessoas vulneráveis da área de risco;
Impedir que terceiros se aproximem da ocorrência;
Direcionar as pessoas para uma área segura.
O guarda-vidas não deve se colocar entre o agressor e os banhistas simplesmente para tentar protegê-los fisicamente.
A presença de arma branca deve ser comunicada imediatamente aos órgãos competentes, conforme os meios disponíveis no serviço.
Ao solicitar apoio, informar objetivamente:
Local exato;
Existência de arma branca;
Número de envolvidos;
Características gerais do agressor;
Direção de deslocamento, se houver;
Existência de vítimas;
Necessidade de atendimento médico.
“OCORRÊNCIA COM ARMA BRANCA. LOCALIZAÇÃO: ______. ENVOLVIDOS: ______. HÁ/NÃO HÁ FERIDOS. NECESSÁRIO APOIO.”
Se o indivíduo armado se aproximar do guarda-vidas:
RETIRADA E PROTEÇÃO
O profissional deve:
Aumentar a distância quando possível;
Retirar-se da área de risco;
Procurar local protegido;
Evitar confronto;
Acionar apoio;
Não perseguir o agressor após afastar-se.
A missão não é capturar ou dominar o agressor.
Se houver uma vítima ferida, o guarda-vidas não deve se aproximar enquanto existir ameaça ativa.
TORNAR O LOCAL SEGURO.
Somente após a situação estar suficientemente controlada e houver condições de segurança:
Aproximar-se;
Avaliar a vítima;
Acionar atendimento médico;
Prestar primeiros socorros dentro de sua capacitação;
Controlar sangramento quando tecnicamente indicado e seguro;
Acompanhar a vítima até a chegada do atendimento especializado.
Uma ocorrência com arma branca próxima ao mar apresenta um risco adicional.
O agressor ou outras pessoas podem:
Cair na água;
Ser empurradas;
Entrar na água durante a fuga;
Sofrer trauma;
Tornar-se vítima de afogamento.
O guarda-vidas deve equilibrar a necessidade de afastamento da ameaça com sua responsabilidade pela segurança aquática.
Não entrar na água para perseguir uma pessoa armada.
Se houver uma vítima na água, a prioridade será reavaliada conforme as condições de segurança e os procedimentos técnicos de salvamento.
A ocorrência não deve provocar abandono desnecessário da área de vigilância.
Quando houver equipe:
Comunicar a ocorrência;
Solicitar que outro profissional mantenha a vigilância;
Manter a área aquática coberta;
Coordenar a resposta conforme o procedimento local.
Quando estiver sozinho, o guarda-vidas deve priorizar sua própria segurança e não se expor ao risco para manter o posto.
O guarda-vidas deve manter:
Evitar reações impulsivas.
Observar mudanças na situação.
Evitar aproximação desnecessária.
Seguir o protocolo.
Não transformar a ocorrência em confronto pessoal.
Tentar desarmar o agressor;
Confrontar fisicamente;
Perseguir o indivíduo armado;
Realizar imobilização sem condições e competência para isso;
Aproximar-se para “mostrar autoridade”;
Recuperar a arma por conta própria;
Colocar banhistas em risco durante uma tentativa de intervenção;
Ignorar a ameaça;
Permanecer desnecessariamente dentro da zona de perigo.
RECONHECER A AMEAÇA
↓
AFASTAR-SE
↓
PROCURAR POSIÇÃO SEGURA
↓
PROTEGER OS BANHISTAS SEM SE EXPOR
↓
ACIONAR AS AUTORIDADES COMPETENTES
↓
INFORMAR A SITUAÇÃO
↓
AGUARDAR O APOIO EM LOCAL SEGURO
↓
APÓS A SEGURANÇA: ATENDER VÍTIMAS
↓
REGISTRAR A OCORRÊNCIA
A ocorrência deve ser tratada como situação de alto risco quando houver:
Ameaça direta ao guarda-vidas;
Agressor avançando contra pessoas;
Múltiplos agressores;
Mais de uma arma;
Vítimas feridas;
Agressor perseguindo pessoas;
Impossibilidade de manter distância segura;
Risco de a situação atingir grande quantidade de banhistas.
NÃO CONFRONTAR.
RETIRAR-SE.
PROTEGER-SE.
ACIONAR APOIO.
Quando a ameaça estiver encerrada e o local estiver seguro:
Verificar se existem vítimas;
Prestar assistência dentro da capacitação;
Solicitar atendimento médico quando necessário;
Informar a equipe responsável;
Preservar informações relevantes da ocorrência;
Realizar o registro operacional.
Registrar, conforme o procedimento institucional:
Data;
Horário;
Local;
Natureza da ocorrência;
Descrição objetiva dos fatos;
Número de envolvidos;
Presença de arma branca;
Apoio acionado;
Existência de vítimas;
Atendimento realizado;
Encaminhamento.
O registro deve ser objetivo, técnico e baseado nos fatos observados, evitando opiniões pessoais.
Não se tornar uma nova vítima.
Criar espaço entre o profissional e a ameaça.
Reduzir a exposição de banhistas ao perigo.
Informar a ocorrência de forma clara.
Solicitar os recursos competentes.
Não tentar desarmar ou dominar o agressor.
Atender vítimas somente quando houver condições de segurança.
Considerar continuamente a segurança da área aquática.
DIANTE DE UMA ARMA BRANCA, O GUARDA-VIDAS NÃO PROCURA O CONFRONTO. ELE PRESERVA SUA VIDA, REDUZ O RISCO, ACIONA APOIO E MANTÉM A MISSÃO DE PROTEGER VIDAS.
SEGURANÇA PRIMEIRO. CONFRONTO NUNCA É A PRIMEIRA OPÇÃO.