O “jiu-jitsu aquático” é um termo popular usado para descrever as técnicas de desvencilhamento no salvamento aquático, utilizadas para proteger o Guarda-vidas durante o contato com vítimas em pânico.Essas técnicas surgiram no final do século XIX e foram documentadas por instituições como a Royal Life Saving Society, sendo posteriormente padronizadas por entidades internacionais como a International Life Saving Federation. Apesar do nome, não se trata de uma arte marcial, mas sim de um conjunto de técnicas baseadas em alavancas e movimentos estratégicos, semelhantes aos princípios do Jiu-Jitsu.
Primeiros Registros das Técnicas de Desvencilhamento no Mundo Os primeiros relatos das técnicas de desvencilhamento no salvamento aquático surgiram no final do século XIX, durante a organização do salvamento moderno. Nesse período, instituições como a Royal Life Saving Society começaram a documentar métodos de resgate baseados na experiência prática de socorristas. Esses registros identificaram um risco recorrente: vítimas em pânico tendiam a agarrar o Guarda-vidas, colocando ambos em perigo. A partir dessa necessidade, foram desenvolvidas as primeiras técnicas de liberação, ainda de forma simples, mas com foco na autoproteção. Com o avanço dos estudos e treinamentos, essas técnicas foram sendo aperfeiçoadas e incorporadas a manuais de formação, sendo posteriormente padronizadas por organizações internacionais como a International Life Saving Federation. Assim, o desvencilhamento passou de prática empírica para um componente técnico essencial do salvamento aquático moderno.
O Illustrated Handbook of Instruction in the Society’s Methods of Release from and Rescue of the Drowning é um manual ilustrado publicado em 1932 pela Royal Life Saving Society (RLSS). Ele apresenta, de forma sistemática e visual, as técnicas oficiais da sociedade para salvamento aquático e reanimação. A obra serviu como referência fundamental para o treinamento de salva-vidas em todo o Império Britânico e influenciou padrões internacionais de segurança aquática.
Autoridade publicadora: Royal Life Saving Society (Reino Unido). Ano de publicação: 1932. Propósito: Instrução em resgates e liberação de afogamentos. Formato: Manual ilustrado de treinamento. Relevância: Padronizoumétodos de salvamento aquático no período pré-Segunda Guerra Mundial.
Durante as décadas de 1920 e 1930, o RLSS consolidou protocolos uniformes para ensino de salvamento e primeiros socorros aquáticos. O manual de 1932 reuniu essas normas, combinando texto técnico e diagramas detalhados de posturas, empunhaduras e manobras de resgate. Ele substituiu versões anteriores menos sistematizadas e foi amplamente distribuído a clubes de natação, forças armadas e instituições educacionais.
A obra está organizada em seções dedicadas às técnicas de liberação (soltar-se de uma vítima em pânico), abordagem segura, transporte na água e reanimação. Cada método é acompanhado de ilustrações passo a passo, desenhadas para instruir tanto iniciantes quanto examinadores. A linguagem é clara e padronizada, refletindo o esforço da RLSS para formar instrutores certificados.
O manual de 1932 marcou a transição do ensino empírico de salvamento para um modelo científico e padronizado. Suas técnicas foram adotadas por organizações congêneres, como a Royal Life Saving Society Australia e instituições canadenses e sul-africanas. Embora substituído por revisões posteriores, o livro permanece uma referência histórica importante na evolução da educação em segurança aquática e na cultura do salvamento moderno.
As técnicas de desvencilhamento no salvamento aquático no Brasil têm origem em referências internacionais, sendo introduzidas principalmente por meio de manuais de formação de guarda-vidas. Materiais desenvolvidos por instituições como a Royal Life Saving Society, a American Red Cross e a International Life Saving Federation serviram como base para o ensino dessas técnicas, apresentando métodos estruturados de abordagem, controle de vítima e liberação de agarramentos. No entanto, sua consolidação no país ocorreu por meio da prática. Instrutores e profissionais passaram a aplicar, adaptar e aperfeiçoar essas técnicas conforme a realidade local, tornando o ensino mais eficiente e adequado às diferentes condições aquáticas. Atualmente, o desvencilhamento é considerado uma habilidade essencial no salvamento aquático, sendo utilizado de forma estratégica, com foco na segurança do socorrista e na prevenção de riscos durante o resgate.