A segurança do guarda-vidas;
A segurança dos banhistas;
A continuidade da vigilância aquática;
A integridade das pessoas envolvidas;
O acionamento adequado dos recursos de apoio.
O guarda-vidas deve atuar de acordo com sua formação, suas atribuições e os procedimentos estabelecidos pelo serviço responsável pela segurança da praia.
Antes de qualquer intervenção, o profissional deve avaliar se sua ação poderá colocá-lo em risco.
A ILS estabelece, em seus princípios de resposta a emergências, que a segurança pessoal do lifesaver é prioritária e que a resposta deve começar pelo reconhecimento do problema, avaliação da situação e planejamento da ação.
Avaliar antes de agir;
Manter posicionamento seguro;
Evitar exposição desnecessária;
Reconhecer suas próprias limitações;
Solicitar assistência quando necessário;
Adaptar sua conduta conforme a evolução da ocorrência.
Ao identificar uma briga, o guarda-vidas deve inicialmente determinar:
Discussão verbal;
Agressão física;
Conflito entre duas pessoas;
Conflito envolvendo várias pessoas;
Situação com terceiros em risco.
Faixa de areia;
Próximo à água;
Dentro da água;
Área de circulação;
Próximo ao posto de guarda-vidas.
Verificar se existe:
Arma;
Objeto utilizado como arma;
Ameaça ao guarda-vidas;
Pessoas feridas;
Crianças ou pessoas vulneráveis próximas;
Risco de queda na água;
Risco de afogamento secundário ao conflito.
A atuação deve seguir uma lógica operacional.
Identificar o problema.
Determinar o nível de risco e os recursos disponíveis.
Definir a conduta mais segura.
Executar a ação escolhida sem comprometer a própria segurança.
A ILS utiliza esses princípios de reconhecimento, avaliação, planejamento e ação como base para resposta a emergências.
O profissional deve permanecer em posição que permita:
Observar os envolvidos;
Manter distância segura;
Evitar ficar cercado;
Manter possibilidade de retirada;
Observar a área aquática;
Identificar alterações na ocorrência;
Comunicar-se com a equipe ou apoio.
NÃO SE POSICIONE DE FORMA A SE TORNAR MAIS UMA VÍTIMA.
Quando houver condições de segurança, o guarda-vidas poderá utilizar comunicação verbal clara, firme e profissional.
“Parem a agressão.”
“Afastem-se.”
“Mantenham a calma.”
“A situação está sendo encaminhada.”
A comunicação deve ser objetiva, evitando:
Provocações;
Insultos;
Ameaças;
Discussões pessoais;
Desafios;
Comportamento agressivo.
A ILS inclui entre seus valores respeito, conduta ética, comunicação efetiva e comportamento profissional.
O guarda-vidas não deve assumir automaticamente o papel de agente de segurança ou policial.
Em uma briga comum, a primeira opção deve ser:
COMUNICAÇÃO + DISTÂNCIA + ACIONAMENTO DE APOIO.
O profissional não deve:
Entrar impulsivamente no confronto;
Trocar agressões;
Perseguir os envolvidos;
Realizar técnicas para as quais não possui treinamento ou autorização;
Colocar sua própria vida em risco;
Abandonar a vigilância aquática sem necessidade.
Qualquer intervenção física deve estar subordinada às normas locais, à capacitação do profissional, às suas atribuições e às condições concretas de segurança.
Quando a situação ultrapassar a capacidade de gerenciamento do guarda-vidas, deve ser solicitado apoio.
A formação de guarda-vidas de praia da SOBRASA inclui conhecimento sobre quando e como acionar socorro de apoio, além de sistemas de comunicação e patrulhamento.
Local da ocorrência;
Número de envolvidos;
Natureza do conflito;
Existência de feridos;
Existência ou suspeita de arma;
Necessidade de atendimento médico;
Outras informações relevantes.
Se o conflito aumentar de intensidade, o guarda-vidas deve reavaliar imediatamente o risco.
SIM → AFASTAR-SE → PROTEGER-SE → ACIONAR APOIO
NÃO → MANTER OBSERVAÇÃO → COMUNICAÇÃO → ACOMPANHAR A SITUAÇÃO
O plano deve ser adaptado conforme as circunstâncias mudarem, princípio também previsto pela ILS para respostas de emergência.
Caso apareça:
Arma de fogo;
Arma branca;
Objeto utilizado como arma;
Ameaça grave;
a situação deve ser considerada de alto risco.
NÃO CONFRONTAR.
Aumentar a distância;
Retirar-se da zona de perigo;
Procurar local seguro;
Alertar pessoas próximas quando isso puder ser feito com segurança;
Acionar imediatamente o órgão competente;
Não tentar desarmar;
Não perseguir o agressor.
PRESERVAR A VIDA.
Uma briga próxima ao mar exige atenção adicional.
Durante o conflito, uma pessoa pode:
Cair na água;
Ser empurrada;
Sofrer trauma;
Perder a consciência;
Tornar-se vítima de afogamento.
O guarda-vidas deve continuar considerando a possibilidade de afogamento secundário ao incidente.
A formação SOBRASA para guarda-vidas de praia enfatiza reconhecimento de potenciais vítimas, vigilância, patrulhamento e resposta a emergências aquáticas.
Se uma pessoa cair ou for lançada na água em decorrência do conflito:
RISCO DE AFOGAMENTO = PRIORIDADE DE SALVAMENTO
O guarda-vidas deve avaliar:
Condição da vítima;
Distância;
Condições do mar;
Correntes;
Equipamentos disponíveis;
Segurança do próprio resgatista;
Necessidade de apoio.
A resposta deve seguir os princípios técnicos de salvamento aquático para os quais o profissional foi treinado.
Após a situação estar suficientemente segura para aproximação:
Consciência;
Respiração;
Sangramento;
Traumas aparentes;
Necessidade de atendimento especializado.
Se necessário, solicitar atendimento médico e prestar primeiros socorros dentro da capacitação do guarda-vidas.
A ILS reconhece entre as competências do lifeguard o atendimento de emergências e primeiros socorros, além da necessidade de conhecer e utilizar os serviços médicos disponíveis para apoio.
O guarda-vidas deve considerar continuamente sua zona de responsabilidade.
A SOBRASA inclui entre os conhecimentos do guarda-vidas de praia:
Zona de responsabilidade;
Locais de cobertura;
Sistemas de patrulhamento;
Comunicação;
Equipamentos;
Sistemas de visualização;
Organização do serviço.
Quando houver equipe, deve-se organizar o apoio para que a vigilância aquática permaneça coberta.
Se houver pessoas que não participam da briga próximas ao local:
Orientar o afastamento;
Evitar aproximação de curiosos;
Retirar crianças da zona de risco quando possível;
Observar pessoas vulneráveis;
Evitar que o conflito produza novas vítimas.
O guarda-vidas deve manter:
Não agir por impulso.
Comunicar-se de maneira clara.
Seguir o procedimento estabelecido.
Evitar exposição desnecessária.
Não transformar uma ocorrência em conflito pessoal.
A ILS estabelece como valores a tolerância, o respeito, a conduta ética, a comunicação efetiva e decisões baseadas em evidências.
Após o encerramento da situação, quando previsto pelo serviço, registrar:
Data;
Horário;
Local;
Natureza da ocorrência;
Número de envolvidos;
Conduta adotada;
Apoio solicitado;
Existência de vítimas;
Atendimento realizado;
Encaminhamento.
O registro deve ser objetivo, técnico e baseado nos fatos observados.
RECONHECER
↓
AVALIAR O RISCO
↓
MANTER POSIÇÃO SEGURA
↓
COMUNICAR, SE SEGURO
↓
ACIONAR APOIO QUANDO NECESSÁRIO
↓
MANTER VIGILÂNCIA AQUÁTICA
↓
REAVALIAR CONTINUAMENTE
↓
ATENDER VÍTIMAS QUANDO SEGURO
↓
REGISTRAR A OCORRÊNCIA
Não se tornar uma nova vítima.
Não agir sem compreender a situação.
Priorizar orientação clara quando houver segurança.
Reconhecer quando a ocorrência ultrapassa sua capacidade.
Não perder de vista a responsabilidade sobre a área aquática.
Agir dentro da formação, competência e protocolos estabelecidos.
Reavaliar a situação continuamente.
Toda decisão deve considerar a preservação da vida e a redução do risco.
O guarda-vidas não busca o confronto. Reconhece o risco, mantém o controle, solicita apoio e preserva vidas.
A segurança do profissional vem antes da intervenção.
Este protocolo foi estruturado com base nos princípios de formação, prevenção, patrulhamento, comunicação, acionamento de apoio e atuação do guarda-vidas apresentados pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático — SOBRASA, em alinhamento com princípios e padrões da International Life Saving Federation — ILS.